Sabe-se que um currículo, concebido apenas na sua dimensão estrita não assegura, por si, qualidade ao curso.

Fez parte da reflexão que resultou nessa proposta curricular, a busca de uma "linha" para o Programa Especial de Formação Docente. Contudo, esbarrou-se em algumas dificuldades sintetizadas nos seguintes questionamentos.

É desejável definir uma tendência pedagógica para que todos os professores a assumam?
É possível, neste momento histórico e, num regime democrático, trabalhar sob o prisma de uma única ideologia?
É desejável adotar uma única teoria de aprendizagem, como fundamento de toda a ação pedagógica do curso?
Evidentemente, a resposta a estas questões foi negativa. Como decorrência, julgou-se ser possível buscar alguma coisa que pudesse garantir integração entre as diferentes disciplinas, enquanto se vislumbra a dinâmica curricular, articulada à formação acadêmica dos discentes.

Partindo-se do pressuposto de que as mudanças na sociedade ocorrem, predominantemente, em função da qualidade da educação básica, uma vez que esta tem que ser proporcionada a todas as pessoas, o curso em questão deverá ter como meta formar professores competentes, comprometidos com nossa realidade, que sejam estimulados a dinamizar seus saberes acadêmicos-profissionais de sua formação na graduação voltada para a pedagogia do ensino fundamental, médio e profissionalizante. Em outras palavras é preciso trabalhar com a convicção de que os professores do ensino básico são uma das molas mestras do desenvolvimento de uma sociedade justa, humanitária.

Conceber competência não é coisa fácil. A busca do desenvolvimento, contudo, conduz à crença de que precisamos formar professores capazes de lidar com o novo, de oportunizar situações que propiciem a produção do conhecimento ou, pelo menos, a sua redescoberta.

Considerando que um ensino de vanguarda deve ter a pesquisa como princípio básico, para que o sujeito se acostume a ler a realidade, julga-se poder alicerçar nesse sentido, a metodologia do curso, independente da tendência pedagógica adotada pelo professor. Acredita-se que, dessa forma, se oportunizará ao aluno não apenas adquirir conhecimento, mas usar o conhecimento para interpretar a realidade e enfrentar os desafios que a mesma representa, produzindo o conhecimento, a partir da observação de diferentes realidades. Dessa forma, ao mesmo tempo em que o aluno se constrói, se desenvolve, domina o processo de construção do saber.

Transportando esta linha de pensamento para os objetivos do Curso, a partir dos componentes curriculares, ter-se-á um enfoque que se mesclará com as grandes questões da sociedade, com os fundamentos do processo de ensinar e de aprender e com os aspectos específicos do currículo.

É expectativa que, em todos esses momentos, o aluno mergulhará, concomitantemente, na realidade e na teoria, numa perfeita inter-atuação teoria X prática, esta última concebida como busca de dados que serão criticados e explicados pela teoria, num processo de ir e vir. É através desse caminho que se pretende preparar um aluno que tenha uma formação sólida de educador, tanto a nível geral quanto ao nível específico da habilitação.

Como decorrência desse processo, o aluno terá um diálogo inteligente com a realidade e saberá produzir e propor um projeto pedagógico consistente. Isto se reveste em capacidade de elaboração, o que significa, em termos práticos, que o professor é capaz de produzir seus próprios textos, tornando-se independente do livro didático e, em conseqüência, capaz de "deixar" seus alunos produzirem.

A questão ideológica será tratada pelos diferentes professores, de vez que está, de certa forma, implícita na tendência pedagógica adotada. Acredita-se que, definir uma ideologia num projeto pedagógico seria fazer doutrinação, o que não se deseja em países democráticos. Sabe-se que analisar, estudar ou criticar a educação torna-se impossível, se desvinculada da ideologia dos sujeitos que participam. Com isto se demonstra concordância com os princípios democráticos.
Acredita-se que o aluno, a partir das experiências vivenciadas em diferentes disciplinas, com diferentes professores, cada um explicitando e justificando seu posicionamento ideológico, poderá assumir conscientemente sua postura, com a qual assumirá sua responsabilidade profissional.

O que se pretende, no Programa Especial de Formação Docente é que a prática pedagógica se calque na problematização. Dessa forma, a ação educativa se dará sobre o contexto em que trabalham e interagem professores e alunos ao invés de idealizarem uma "outra" realidade.
Dessa forma, se estará desenvolvendo o currículo através de um processo construtivo de aprendizagem, cuja compreensão parte, sempre, de situações problema ou desafio para o sujeito. Assim, a pesquisa didática substituirá a didática tradicional.

Em síntese, o professor idealizado evidenciará:

I-         Capacidade de promover a ampliação das experiências e dos conhecimentos do aluno, estimulando o interesse da criança pelo processo de transformação da natureza e pela dinâmica da vida social.

II-        Capacidade de contribuir para que sua interação e convivência na sociedade seja produtiva e marcada pelos valores de solidariedade, liberdade, cooperação e respeito.
O egresso do Programa Especial de Formação Docente do Instituto Superior de Teologia Aplicada deverá estar apto a:                     

I.       
Atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa, equânime, igualitária.
                   

II.       
Compreender, cuidar e educar no ensino fundamental, nas séries finais, no ensino médio e profissionalizante, de forma a contribuir, para o seu desenvolvimento nas dimensões, entre outras, física, psicológica, intelectual, social.
                  

III.       
Capacidade de inserção nos diferentes espaços sócio-funcionais e execução de suas atribuições profissionais, com competência teórica, técnica, ética e política.
                 

IV.       
Fortalecer o desenvolvimento e as aprendizagens de crianças e adolescentes do Ensino Fundamental, médio e profissionalizante.
                  

V.
       
Trabalhar, em espaços escolares e não-escolares, na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo.
                 

VI.       
Reconhecer e respeitar as manifestações e necessidades físicas, cognitivas, emocionais, afetivas dos educandos nas suas relações individuais e coletivas.
                

VII.       
Articular sua área de conhecimento, em suas aulas, com outros saberes como Língua Portuguesa, sociologia, Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes, Educação Física, de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano.
              

VIII.       
Relacionar as linguagens dos meios de comunicação à educação, nos processos didático-pedagógicos, demonstrando domínio das tecnologias de informação e comunicação adequadas ao desenvolvimento de aprendizagens significativas.
                 

IX.       
Promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa, a família e a comunidade.
                  

X.       
Identificar problemas socioculturais e educacionais com postura investigativa, integrativa e propositiva em face de realidades complexas, com vistas a contribuir para superação de exclusões sociais, étnico-raciais, econômicas, culturais, religiosas, políticas e outras.
                 

XI.       
Demonstrar consciência da diversidade, respeitando as diferenças de natureza ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades especiais, escolhas sexuais, entre outras.
                

XII.       
Desenvolver trabalho em equipe, estabelecendo diálogo entre a área educacional e as demais áreas do conhecimento.
              

XIII.       
Utilizar, com propriedade, instrumentos próprios para construção de conhecimentos pedagógicos e científicos.
Ao mesmo tempo, sua formação deverá priorizar aspectos que o tornem um profissional comprometido com a transformação da realidade, com a ampliação das possibilidades de Educação e com a construção de uma Escola de qualidade, capaz de tornar menos distante o sonho de uma sociedade justa e igualitária.